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CORRUPCIÓN: Ranna Alves Frota – “A realidade política no Brasil”

Publicado el viernes 24 de junio, 2016

latin_rRanna Alves Frota , Colégio Santo Inácio Fortaleza, Brasil

No cenário político brasileiro, além dos diversos problemas recorrentes no que compete à má administração pública e à ampla negligência do Estado perante os cidadãos, destaca-se, principalmente, a origem de todas essas situações adversas, que é a corrupção. Ressalta-se que tal ato inescrupuloso não é restrito à esfera política, a sociedade civil brasileira é cercada por essa conduta, com o famoso “jeitinho brasileiro”, o qual prioriza a vantagem sobre bem público. Nessa perspectiva, segundo o  do filósofo iluminista John Lock, “todo indivíduo é produto do meio”. Nessa concepção, explicita-se que todo indivíduo é o que é feito dele, ou seja, o comportamento dos políticos é apenas o reflexo da sociedade na qual eles estão inseridos.

Efetivamente, acresça-se que tal conduta não é restrita à atualidade. Desde o Brasil Colônia, a corrupção fazia-se presente, visto, por exemplo, no caso dos santinhos do pau oco, no qual mineradores escondiam ouro dentro de imagens de santos com a ajuda da Igreja Católica, a fim de burlar a cobrança de importar. Esse evento constata que, ainda na época de colônia lusitana, construiu-se  um entendimento tomado como verdade pela sociedade civil, segundo o qual a ilicitude faz parte da essência do brasileiro, afirmando, assim, que a corrupção não é um problema apenas do âmbito político, mas também de esfera social.

Sob esse viés, destaca-se a situação atual do país, cujo a Presidente da República está sofrendo um processo de impeachmentas justificativas do seu afastamento são os diversos esquemas de corrupção presentes em seu governo, como o Petrolão. Entretanto, observa-se um paradoxo, no qual um líder de Estado é deposto por corrupção e seu sucessor, no caso o vice-presidente Michel Temer, é também suspeito de práticas corruptas, com diversos processos em seu nome, e todos os ministros indicados por este são réus da Lava Jato. Ademais, o responsável pelo andamento do processo de “impeachment” é o ex-presidente da Câmara dos deputados, Eduardo Cunha. Esta possui mais de 22 processos em seu nome, evidenciando que o impedimento da Presidente Dilma não é uma questão de justiça, mas de um jogo de poder entre a direita conservadora e a esquerda trabalhista.

Vale destacar que a sociedade brasileira, ao contrário que muitos estrangeiros idealizam, é altamente conservadora e moralista. Tal fato é refletido nos deputados e senadores escolhidos pelo povo, como o Marcos Feliciano, pastor da igreja evangélica Assembleia de Deus, e Jair Bolsonario, ex-militar. Ambos são fascistas, autores de discursos de ódio, com teor preconceituoso. Acresça-se que, no atual ministério do Presidente em exercício, Michel Temer, não há presença de nenhuma mulher, negro ou homossexual, assim, evidenciando que, no país, ainda perpetua a política dos “Homens Bons” provinda do Brasil Colonial. Em suma, nota-se que a conduta errônea da corrupção está impregnada na história do país desde seus primórdios, assim, justificando o cenário político atual incitando uma intervenção da sociedade civil em dizimar tal cultura. Se esta se abster dessa responsabilidade, o Brasil continuará a sofrer com as mazelas advindas da corrupção.

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